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riscos_e_rabiscos

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Coisas do Arco-da-Velha.

Há cerca de duas semanas, a minha mãe perdeu o passe social (o título de transporte). Tinha-se sentado na minha cama para trocar de mala e, enquanto fazia a transferência da tralha, foi fazendo limpeza. A partir daí, nunca mais foi visto ao cimo da terra, que é como quem diz, na sua mala.

 

Obrigou-me a desmanchar a minha cama toda e a vasculhar todo e qualquer cantinho, procurei nos meus livros - como é uma coisa pequena podia ter ido lá parar - nas minhas papeladas, revistei as malas da minha mãe 346 vezes, procurei nas minhas, procurei nos móveis e em todo o lado e mais algum que me lembrei. Nada.

 

Como eu não sou grande coisas a encontrar objectos perdidos, ela voltou a fazer o mesmo: procurou nos mesmos sítios do que eu e algum que me tenha falhado. Reconstituiu percursos, perguntou nos sítios por onde passou e entrou mas sinal do passe, nada. Coisa muito estranha, até porque a minha mãe tem faro de perdigueiro e encontra sempre tudo. Mas após tão pormenorizada demanda e não tendo obtido frutos, desistiu. Redimiu-se às evidências e consolou-se com a ideia de que teria de ir pedir outro cartão.

 

Hoje, fui às compras de manhã como ela gosta de fazer, é o seu ritual. E gosta de entrar nas lojas a caminho de casa para ver (sim, porque dinheiro para comprar anda escasso) as novidades. Ela conhece toda a gente e mais um par de botas, tal como todos a conhecem.

Ao entrar numa loja, a empregada vira-se para ela e diz-lhe "olhe encontrei aqui o seu passe". Ela ficou toda contente mas um bocado intrigada. E ainda mais ficou quando a moça lhe disse que o passe se encontrava por cima de uma caixa que estava numa prateleira alta a que a minha mãe nem chegava.

 

Mas como teria ido ali parar? Estranho, não? Bom, mas o que interessa é que o passe foi encontrado pois este representa um sinal de liberdade e independência para a minha mãe.

Mas que há coisas do Arco-da-Velha, há.

 

Isto não se faz!

Quer dizer, passa uma pessoa a vida inteira com aquilo ali. Habituamo-nos a tê-la como parte integrante da nossa vida e, de repente, fica somente o sítio.

 

Jamais imaginaria que um dia não estaria ali, que deixaria de participar na minha vidinha diária. Que ao abrir a janela ou sair à rua não te cumprimentaria. Foram cerca de trinta anos de convivência íntima e diária, de confissões e conversas. Já estavas desgastada pelo tempo, usada e abusada e até havia quem te maltratasse. A tua utilidade há muito que se tinha extinguido. Mas não era preciso tomar medidas drásticas.

 

Gostava de saber que teve a ousadia de te abduzir, e com que autorização?!? Nem sei como vou viver a minha vida daqui para frente...

 

Hoje, quando fui beber a minha dose diária de cafeína, senti a tua falta... e foi aí que reparei que...

 

...tiraram a cabine telefónica que estava em frente às janelas da minha mãe há alguns 30 anos!

Não se faz!

Grunf!

{#emotions_dlg.annoyed}

 

Também estou em greve.

Estou sim mas não da maneira que estão a pensar, não da maneira "tradicional", digamos assim. Até porque a quinta-feira, infelizmente, é um dos dias em que não tenho trabalho.

 

Estou em greve contra as coisas menos boas que têm assolado a minha vida. Estou em greve contra os recibos verdes, contra o meu mísero ordenado - que neste momento é prai metade do mínimo - contra a pouca valorização profissional, contra os "abutres" que sobrevoam a minha existência, contra os entraves dos meus projectos pessoais, contra as injustiças que vejo à minha volta e as que sofro na pele.

 

Estou em greve contra a distância que me obriga a estar longe da minha cara metade, contra os fatores que não nos deixam prosseguir o nosso caminho da felicidade tranquilos e sem preocupações.

 

Estou em greve contra um estado que me lixa a toda a Força, que me tira tudo e não me dá nada. Estou de greve contra governantes que só pensam roubar ao povo e não em abdicar de um pouco dos seus auferimentos (astronómicos!) mensais ou da sua riqueza pessoal em prol de uma nação que se encontra em péssimo estado graças à sua má governação.

 

ESTOU EM GREVE!*

 

*Porque quero, porque posso e porque sou solidária...

 

 

E se...

... um dia de manhã, saissem de casa para ir trabalhar meio ensonados, abrissem a porta da escada, e assim que pusessem um pé no chão deparassem com isto escrito no chão a tinta prateada:

 

BOM DIA AMOR,

AMO-TE MUITO!

 

Era giro, não era? Isto não se passou comigo mas sim na minha rua. Desconheço a visada mas desconfio que ela também não deverá ter muita vontade de se "dar ao conhecimento". É que se vocês vissem a vizinhança que se juntou ali à volta... 
{#emotions_dlg.tongue}

Quem me dera que esticasse!

Que esticasse... o tempo, o dia. Principalmente às terças e quinta-feiras que são os dias que fico em casa. Idealizo sempre mil e uma coisas para fazer, faço até uma listinha na minha agenda mas raramente consigo cumprir. O tempo foge-me!

 

De manhã andei a dar as minhas voltinhas costumeiras da terça-feira. De tarde, após uma cuscadela inspiradora pela net, fui dedicar-me um pouco às costuras. Mais umas experienciazinhas que hão-de vir a lume. Estava eu a finalizar uma peça quando, de repente, se partiu a agulha! Ora bolas, mesmo, mesmo no fim da peça! 

 

Fui à gavetinha da máquina buscar uma agulha nova. Tento desapertar a patilha... nada! Pensei que estivesse a desenroscar para o lado errado. Nova tentativa, nada! Argh! Estou feita! Não consigo desapertar isto... será nabice minha? Será falta de força nas mãos - que tenho mesmo! - ou isto está muito apertado? Pois não sei, meus amigos. Na altura não tinha cá ninguém com força para tirar as teimas. O Bóbi tinha força mas desconfio que não conseguia fazer o serviço.

 

É a isto que eu chamo "lixar o serviço"... Fui impedida de trabalhar porque um coisa tão pequena e insignificante como uma agulha, resolveu partir-se. E eu, qual flor de estufa, tenho mãos de teia de aranha, que são tão frágeis que nem força tem para desapertar uma patilha. Ainda pensei ir lá com os dentes mas depois pensei melhor e ocorreu-me que para além da agulha, também poderia ficar com as dentuças partidas. Ficou o trabalho em stand-by... :/

 

 

 

Injustiças

Aqui na minha zona, há um centro de formação profissional (até há mais) que fica perto de uma das paragens do autocarro que me leva para o colégio.

De há umas semanas para cá, têm entrado duas moças que me pareciam de etnia cigana. Mas como não gosto de estar a olhar fixamente para as pessoas a observá-las, ainda não tinha conseguido ter a certeza. Mas pela maneira de falar, de pentear e até de alguns trejeitos na fala, assim me pareciam.

 

Pelo que percebi, elas devem estar a tirar algum curso. Talvez obrigadas para receberem o rendimento mínimo ou o rendimento de inserção social, como quiserem designar. Não sei muito bem qual a necessidade disto mas também não é para eu entender. Afinal de contas, esse curso terá muito poucas possibilidades de ser exercido. Conheço apenas uma cigana que não vai trabalhar para a venda e que trabalha numa loja mas também ela não é igual aos outros e nem se mistura. Até o modo de vida é diferente.

 

Hoje, as tais moças entraram de novo no autocarro e eu obtive a certeza absoluta de que eram ciganas: a conversa que elas iam a desenrolar assim o comprovou. Era impossível não ouvi-las já que elas vinham sentadas atrás de mim e falavam alto. E foi aqui que ouvi o que me deu a volta às entranhas. Uma delas contava à outra o que o irmão tinha ganho na venda em dois dias: na feira A ganhou 50 contos e na feira B ganhou 80 contos. Isto é, só em dois dias ganhou 650 euros! Se calhar nem trabalhou nos outros dias, pois se ganhar isto por semana, ao fim do mês terá auferido 2.600 euros. Como não fazem descontos de espécie nenhuma, é só lucro. Despesas? Só se for a enfardar bolos nos cafés, que é o que aqui fazem, e a fazer autênticas passagens de modelos durante todo o dia. Eles e elas. 

Despesas? As casas foram-lhes atribuídas pela Câmara Municipal e a renda deve ser cerca de 5 euros, água e luz pouco devem pagar pois o dia deles é passado na rua faça chuva ou faça sol, faça calor ou faça frio.

E os carros? Muitos deles de alta cilindrada, que um trabalhador "normal" nunca teria posses para comprar. A não ser que se endivide até ao pescoço.

 

Aquilo que me revolta as entranhas é que eu farto-me de trabalhar, sou obrigada a pagar os impostos todos, ninguém me dá absolutamente nada e recebo 200 euros ao fim do mês (foi o meu vencimento o mês passado). E se precisar de uma qualquer ajuda mandam-me dar uma curva porque trabalho a recibos verdes e não tenho direito a nada. Ai não tens dinheiro para comer ou para pagar a casa?! Azar! Não existisses e não te tivesses metido numa casa - super barata mas que mesmo assim vai custando a pagar - e agora vai para debaixo da ponte! É isto que o estado me dirá, caso eu precise dele. 

 

E é isto que me revolta, porque é que esta gente não faz descontos e tem direito a tudo e o rabinho lavado com água de malvas? Talvez se os obrigassem a pagar, não fosse preciso "roubar" tanto ao comum trabalhador, nem à função pública. Talvez fosse a solução para colmatar a crise.

 

Ainda não desapareci...! :P

Há alguns dias que ando em silêncio aqui no blog. Tenho andado tristonha, meio desanimada. Além disto, tenho andado assim... 

Passei o fim de semana de lenço na mão e nariz a pingar. Quando pensava que a fase "chuvosa" do meu nariz tinha passado, eis que hoje acordo assim:
Não me apetecia nada estar assim. Hoje não sei se nas aulas vou falar inglês ou espirrar em inglês- Raios!
Quem me manda ser uma flor de estufa a quem tudo faz mal?!
Bolas!
P.S - Não percam as actualizações, que é como quem diz as coisas novas, do Lovely things!

Ora espreitem aqui...

Hoje foi dia de "costuranço". Andei a ver os tecidos que eram indicados para dar forma a algumas ideias que tenho em mente. Das conjugações, surgiu isto. Que acham?

 

Preto e branco com risquinhas...
Vários tons de lilás/roxo... a foto foi tirada com flash, por isso as cores estão muito claras. Sem flash a coisa ainda estava pior...
Verde e vermelho... as cores tradicionais do Natal. A fita fininha é verdinha.
Mais uma variação de verde e vermelho. Desta vez com preto e branco à mistura.
De que combinação gostaram mais? E que gostariam de ver feito com elas? Querem saber o que vou fazer? Não digo! {#emotions_dlg.secret}{#emotions_dlg.sarcastic}

Sopro de velas insólito.

O meu irmão fez anos no sábado. O tempo não está para festanças porque não há dinheiro mas também não há necessidade de deixar passar em branco um aniversário. E eu jamais permitiria que isto acontecesse, ainda pra mais o meu irmão sente-se o parente pobre da família: ele acha que a família não se lembra dele, que nunca o convida e o inclui em nada, e que nem tem direito a prendas (quer de anos ou Natal).

 

E eu até compreendo isto que ele sente. Antes era o bijuzinho da família mas depois cresceu. E de menino fofinho e lindinho passou a adolescente e depois a adulto. O processo normal de crescimento.

 

Mas continuando, fiz um lanchinho na minha casa para meia dúzia de pessoas mais chegadas. Fiz uns docinhos, umas sandochas, um granda pão com chouriço (obra do N.) e um bolo de aniversário de chocolate.

Estivémos todos em amena cavaqueira e a atacar a mesa até à hora de cantar os parabéns e apagar as velas. Montei as velas no bolo, o foguete (ou lá como se chama e que ainda por cima estava falido!), apaguei as luzes e começámos todos: parabéns a você... lá lá lá lá... e, de repente, mesmo na hora H o meu irmão recebeu um telefonema. Em vez de ignorar, atendeu o telefone e pisgou-se dali para falar...

 

Isto é mesmo coisas à meu irmão!!! Mas quem é que já viu alguém que, na hora de apagar as velas, resolve pisgar-se para atender um telefonema?!? Eu sei que há pessoas que não querem apagar as velas para não fazerem mais um ano mas esse é um processo irreversível.

Ora eu, pasmada com esta atitude, fui atrás domeu irmão de máquina fotográfica em punho e a cantar em altos berros o "Parabéns a você".

 

(a prova do crime)

 

Em suma, o meu irmão lá voltou para a mesa, as velas forma sopradas, mais um ano foi acrescentado e, no fim, deliciamo-nos com o bolo de chocolate com recheio de leite condensado e maltesers. Ainda pensei em trazer um bocadinho aqui para o blog para vocês provarem mas...os gulosos acabaram com o bolo sem que eu desse por isso...!

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